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Márcio ManziO Caminho Possível

Planejamento Financeiro

Herança e sucessão: o que organizar em vida

Organizar a sucessão em vida evita conflitos e custos para a família. Veja o que costuma entrar nesse planejamento e por que a orientação jurídica é indispensável.

Por Márcio Manzi7 min de leitura

Pensar na própria sucessão é desconfortável. Por isso, muita gente adia, e a conta chega para quem fica: burocracia, custos, disputas e decisões tomadas em meio ao luto. Organizar o tema em vida é um gesto de cuidado com a família. Este texto apresenta um panorama geral para orientar a conversa. Ele não substitui a análise de um advogado, porque as regras dependem de cada situação, e parte delas varia por estado.

O que acontece quando alguém falece

Os bens da pessoa formam o chamado espólio, que passa por um processo de inventário e partilha até chegar aos herdeiros. Esse processo pode ser judicial ou, em determinadas situações, extrajudicial, feito em cartório, desde que atenda às condições previstas em lei, como o acordo entre os herdeiros e a ausência de certas complicações. Em ambos os casos, há custos e prazos.

Pontos centrais do planejamento

1. Conhecer as regras da herança

O Código Civil define quem são os herdeiros necessários e protege uma parte do patrimônio, chamada legítima, que não pode ser livremente destinada. Apenas a outra parte pode ser objeto de disposição por testamento. A ordem de herdeiros e a divisão dependem do estado civil, do regime de bens do casamento ou da união, e da existência de filhos e ascendentes. Por isso, cada caso é um caso.

2. Organizar o patrimônio e os documentos

  • Liste os bens: imóveis, veículos, contas, investimentos, previdência, participações em empresas.
  • Mantenha documentos atualizados e acessíveis a pessoa de confiança.
  • Registre onde estão contas, senhas e acessos digitais, de forma segura.
  • Mantenha regularizados os imóveis, com escritura e registro.

3. Avaliar instrumentos de planejamento

Dependendo do caso, advogados e planejadores podem discutir com você ferramentas como:

  • Testamento, para destinar a parte disponível e expressar vontades.
  • Doação em vida, com ou sem condições, observadas as regras e a tributação.
  • Holding patrimonial ou familiar, em situações específicas, avaliando custos e adequação.
  • Previdência privada e seguros, que costumam ter regras próprias de beneficiários.
  • Procurações e diretivas para situações de incapacidade.

Cada instrumento tem vantagens, custos e riscos, e nem todos fazem sentido para todo mundo.

4. Considerar os custos

Além das despesas do processo (honorários, custas, cartório), há o imposto sobre herança e doações (ITCMD), de competência estadual. As alíquotas e regras variam por estado, e podem mudar. Consulte a legislação do seu estado e um profissional para estimar os valores.

5. Conversar com a família

Dividir as intenções com os herdeiros, de forma respeitosa, reduz mal-entendidos. Isso não precisa incluir todos os detalhes, mas pode evitar que uma surpresa vire conflito. Também ajuda a alinhar expectativas sobre empresas e imóveis compartilhados.

Erros comuns

  • Deixar tudo informal, sem documentos ou registros.
  • Confiar que "vai se resolver", sem considerar custos e prazos.
  • Concentrar o patrimônio em imóveis, sem liquidez para custear o inventário.
  • Fazer doações ou transferências sem orientação, o que pode gerar problemas tributários ou jurídicos.
  • Deixar de atualizar beneficiários de seguros e previdência.

Perguntas frequentes

Preciso fazer testamento?

Depende do patrimônio, da estrutura familiar e dos seus objetivos. Um advogado pode avaliar se ele faz sentido.

Inventário em cartório é sempre possível?

Não. Há requisitos legais, como concordância entre os herdeiros e a observância de outras condições. Em caso de dúvida, consulte um advogado.

Planejamento sucessório é só para quem tem muito patrimônio?

Não. Mesmo patrimônios menores têm vantagens ao ser organizados. A complexidade e o custo das soluções é que variam.

Por onde começar esta semana

  1. Liste seus bens e dívidas e anote onde estão os documentos.
  2. Revise os beneficiários de seguros e da previdência.
  3. Pense nas suas vontades e nas pessoas que dependem de você.
  4. Agende uma conversa com um advogado de confiança, especialista em sucessões.

Na linguagem do Método MÃO, é o trabalho do Propósito: combinar com a família e deixar tudo em ordem, com cuidado. Para conversar sobre o planejamento financeiro que acompanha essa decisão, entre em contato. O aconselhamento jurídico deve ser feito por advogado.

Este conteúdo tem finalidade educacional e informativa. Não constitui recomendação de investimento, oferta de produto financeiro nem promessa de resultado. Consulte apolítica editorial.

Referências

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